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Coral do Vaticano emociona público em apresentação inédita na Catedral de Campinas SP
Capela Musical Pontifícia Sistina, coro oficial do Papa, inicia em Campinas sua primeira turnê pela América Latina e encanta o público com 15 séculos de tradição da música sacra
Publicado em 04/07/2026 10:12 • Atualizado 04/07/2026 10:41
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Coro diante do altar de Nossa Senhora Imaculada Conceição em Campinas SP

A Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição foi palco, na noite desta sexta-feira (3), de um momento histórico para a música sacra e para a Arquidiocese de Campinas. A Capela Musical Pontifícia Sistina, coro oficial do Papa e considerada a mais antiga instituição coral em atividade contínua do mundo, realizou uma apresentação inédita na cidade, emocionando centenas de pessoas que lotaram o templo para assistir ao concerto.

A apresentação integra a primeira turnê da história da Capela Sistina pela América Latina. No Brasil, o conjunto se apresentará em apenas cinco cidades, sendo Campinas a primeira escolhida para receber o grupo. A passagem pela cidade acontece justamente durante as comemorações dos 252 anos de Campinas, tornando o evento ainda mais significativo para a comunidade local.

Reconhecida internacionalmente pela excelência artística e pela preservação da tradição musical da Igreja Católica, a Capela Sistina proporcionou ao público uma verdadeira viagem pela história da música sacra ocidental. O repertório percorreu aproximadamente quinze séculos de tradição, reunindo desde o canto gregoriano — considerado uma das expressões mais antigas da música litúrgica cristã — até obras da música sacra contemporânea, executadas com a precisão e a sonoridade que tornaram o coro uma referência mundial.

Entre os presentes esteve o prefeito de Campinas, Dário Saadi, que destacou a importância da visita da delegação vaticana para a cidade.

"É uma honra para a cidade e, sem dúvidas, um presente do Vaticano e da Arquidiocese para Campinas, que comemora 252 anos", afirmou o prefeito.

O concerto foi marcado por momentos de profundo silêncio e contemplação, contando no final com longos aplausos do público, que acompanhou atentamente cada obra executada. A acústica da Catedral Metropolitana contribuiu para valorizar ainda mais as interpretações do coro, cuja tradição remonta aos primeiros séculos do Cristianismo.

Patrimônio musical da Igreja

Durante a visita a Campinas, Monsenhor Marcos Pavan, maestro-diretor da Capela Musical Pontifícia Sistina desde 2020, após nomeação do Papa Francisco, concedeu entrevista e falou sobre a importância da preservação do patrimônio musical da Igreja.

Segundo ele, a música sacra deve evoluir sem perder suas raízes históricas.

"Nós não podemos ir para a frente com a música sacra se esquecemos esses dois mil anos de tradição que nós temos. A evolução nunca é substituição. É uma mudança que não esquece o passado."

Monsenhor Pavan explicou que sua presença em Campinas também teve como objetivo reconhecer o trabalho desenvolvido pela Arquidiocese na valorização da música litúrgica.

Ele destacou sua amizade com integrantes da equipe responsável pela organização do concerto e afirmou que a dedicação à música sacra desenvolvida na arquidiocese representa um exemplo para outras dioceses brasileiras.

"Eu quis agradecer, na pessoa do maestro Cleyton, a todas as pessoas que, no Brasil, com grande sacrifício, se esforçam e trabalham para que o patrimônio da música sacra, como foi chamado pelo Concílio Vaticano II, não seja esquecido."

Educação musical desde a infância

Outro tema abordado pelo maestro foi a importância da formação musical desde os primeiros anos de vida.

Monsenhor Marcos Pavan contou que teve contato com a música ainda na infância e acredita que o acesso precoce ao ensino musical permite que muitas crianças descubram talentos que talvez permanecessem ocultos.

"Eu tive a sorte de ser músico ainda na escola da infância. Isso é uma coisa muito importante. Eu descobri o meu talento musical, e tantas crianças que têm talento musical, se fossem músicos nas escolas, descobririam também os talentos delas."

Para ele, ampliar o ensino musical significa também investir na formação de futuros maestros, instrumentistas e cantores capazes de representar o Brasil nos principais coros e orquestras do mundo.

"O Brasil, quando dá oportunidade para os seus filhos, não fica devendo nada para ninguém."

A arte como instrumento de evangelização

Durante a entrevista, Monsenhor Pavan também refletiu sobre o papel da arte na missão evangelizadora da Igreja.

Segundo ele, ao longo dos séculos, a Igreja anunciou o Evangelho utilizando diversas formas de expressão artística, como a pintura, a escultura, a arquitetura e a música.

"A Igreja sempre divulgou o Evangelho através de muitos métodos, através das pinturas, através das músicas, não só através da pregação."

O maestro lembrou que a Capela Sistina, conhecida mundialmente pelos afrescos de Michelangelo, representa um exemplo da união entre música e arte sacra.

Ele comparou esse patrimônio artístico às imagens presentes na Catedral Metropolitana de Campinas, afirmando que ambas constituem uma forma de catequese visual e espiritual.

"A arte plástica, as esculturas, os quadros e também a música são uma catequese e também uma ocasião de união e de elevação da alma a Deus."

Música que constrói pontes

Monsenhor Marcos Pavan destacou ainda que a música possui um papel importante no diálogo entre diferentes tradições cristãs.

Segundo ele, a Capela Sistina mantém relações frequentes com coros de Igrejas Ortodoxas e comunidades protestantes, promovendo apresentações conjuntas que demonstram como a arte pode aproximar povos e superar divisões históricas.

O maestro citou como exemplo um concerto realizado recentemente com o coro da Catedral de Canterbury, na Inglaterra.

"A música cria pontes onde talvez os desentendimentos entre os homens criaram divisão entre as Igrejas."

Uma tradição de quinze séculos

Fundada há aproximadamente 1.500 anos, a Capela Musical Pontifícia Sistina é herdeira da antiga Schola Cantorum Romana, instituição responsável pelo desenvolvimento da música litúrgica nos primeiros séculos da Igreja.

Ao longo de sua história, o coro acompanhou pontificados, celebrações litúrgicas, canonizações, conclaves e os principais acontecimentos da Santa Sé, tornando-se um dos maiores símbolos da tradição musical católica.

Atualmente, o conjunto é formado por 24 cantores adultos e cerca de 30 Pueri Cantores, jovens integrantes responsáveis pelas tradicionais vozes brancas do coro. Sua principal missão continua sendo servir musicalmente às celebrações presididas pelo Papa, preservando e difundindo um patrimônio artístico que atravessa gerações.

A apresentação em Campinas marcou não apenas a abertura da turnê brasileira, mas também um momento histórico para a cidade, reunindo fé, cultura e música em uma noite que permanecerá na memória dos fiéis e apreciadores da arte sacra. O concerto reafirmou o poder universal da música como instrumento de beleza, espiritualidade, diálogo entre culturas e preservação de uma tradição que continua viva após quinze séculos de história.

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