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Música litúrgica une tradição, formação e evangelização, afirma especialista da Arquidiocese de Campinas
Maestro Clayton Junior Dias destaca a importância do canto gregoriano, anuncia congresso internacional e reforça o compromisso da Arquidiocese com a excelência na música sacra.
Publicado em 19/07/2026 11:28 • Atualizado 20/07/2026 16:05
Música

A música litúrgica continua sendo um dos maiores patrimônios espirituais da Igreja e um importante instrumento de evangelização. Essa foi a principal mensagem transmitida pelo maestro, musicólogo e especialista em canto gregoriano, Dr. Clayton Junior Dias, da Arquidiocese de Campinas, durante entrevista ao programa Megafone, da Rádio e TV Fé e Luz.

Ao recordar sua trajetória, Clayton contou que sua vocação musical nasceu ainda na infância, quando começou a tocar violão e cantar nas celebrações da Igreja. Posteriormente, ingressou no seminário, onde aprofundou sua formação musical antes de dedicar-se integralmente aos estudos de regência, música sacra e pesquisa acadêmica.

Graduado, mestre e doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o maestro também realizou estudos e pesquisas em Portugal, Itália e Suíça, especializando-se em canto gregoriano e manuscritos litúrgicos medievais. Segundo ele, essas experiências permitiram um contato direto com as raízes da tradição musical da Igreja.

"O conhecimento histórico e técnico não é um fim em si mesmo. Ele nos ajuda a rezar melhor, a formar os músicos e a preservar com inteligência e sensibilidade esse patrimônio que a Igreja recebeu ao longo dos séculos", afirmou.

Canto gregoriano permanece atual

Durante a entrevista, Clayton explicou que o canto gregoriano continua sendo o canto próprio da Igreja Romana, conforme ensina o Concílio Vaticano II.

Além de seu valor histórico — por representar a origem da notação musical ocidental —, ele destacou sua profunda dimensão espiritual.

Segundo o especialista, o objetivo do canto gregoriano nunca foi o espetáculo, mas sim conduzir os fiéis à oração por meio da Palavra de Deus.

"O canto gregoriano não coloca o homem no centro, mas conduz diretamente a Deus. É a oração própria da Igreja e uma verdadeira exegese sonora da Palavra de Deus."

Clayton também ressaltou que estudos na área da musicoterapia apontam benefícios do canto gregoriano no auxílio ao relaxamento, à redução da ansiedade e ao equilíbrio emocional, especialmente em um contexto de crescente preocupação com a saúde mental.

Formação de músicos para servir à liturgia

Outro tema abordado foi a história do Centro de Estudos de Música Sacra e Liturgia da Arquidiocese de Campinas (CMULC), criado por iniciativa do saudoso arcebispo Dom Bruno Gamberini.

Inicialmente planejado para receber apenas 30 alunos, o projeto surpreendeu logo no primeiro dia, quando cerca de 300 pessoas se inscreveram para participar da formação.

Atualmente diretor do (CMULC), Clayton explicou que a instituição oferece cursos presenciais e online para músicos, cantores, leitores, regentes, organistas e agentes da pastoral litúrgica, atendendo alunos de diversas regiões do Brasil e também de outros países de língua portuguesa.

Congresso Internacional reunirá participantes de vários países

Entre os destaques da entrevista está a realização do Congresso Internacional de Coros Litúrgicos, que acontecerá entre os dias 28 e 30 de agosto, no Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas.

O evento contará com a presença do monsenhor Marco Frisina, um dos mais reconhecidos compositores de música litúrgica da atualidade, diretor do coro da Diocese de Roma.

Segundo Clayton, o congresso já reúne aproximadamente mil inscritos de praticamente todos os estados brasileiros, além de participantes da Argentina, Paraguai e Chile.

"O congresso nasce para unir formação musical, conhecimento litúrgico e espiritualidade, oferecendo aos músicos da Igreja uma oportunidade de crescimento e comunhão."

Álbum em português levará obras italianas ao público brasileiro

O maestro Clayton Dias,também anunciou que está em fase final de produção um novo álbum digital com 14 composições de Monsenhor Marco Frisina traduzidas para o português.

O projeto é fruto da parceria entre o compositor italiano e o Coro da Arquidiocese de Campinas, tornando acessível às comunidades brasileiras um repertório amplamente utilizado na Igreja em diversos países.

Segundo Clayton, o trabalho exige rigor científico para preservar tanto o significado litúrgico dos textos quanto sua perfeita adaptação musical à língua portuguesa.

Reconhecimento internacional

Outro momento marcante lembrado durante a entrevista foi a visita do Coro da Capela Sistina, responsável pelas celebrações do Papa, à Catedral Metropolitana de Campinas.

A cidade foi a única do interior brasileiro a receber o grupo durante sua primeira turnê pelo Brasil, fato considerado histórico para a Arquidiocese.

Clayton destacou ainda o reconhecimento público recebido de Monsenhor Marcos Pavan, diretor da Capela Sistina, que elogiou o trabalho desenvolvido pela música litúrgica da Arquidiocese de Campinas.

Para o maestro, esse reconhecimento representa não um ponto de chegada, mas um incentivo para continuar investindo na formação musical das comunidades.

Música como serviço e evangelização

Ao encerrar a entrevista, Clayton deixou uma mensagem aos músicos, corais, seminaristas e agentes de pastoral, lembrando que a música na Igreja é, antes de tudo, um ministério.

"Nunca deixem de estudar. A fé e o conhecimento caminham juntos. Quanto mais conhecemos a liturgia, a música e a tradição da Igreja, melhor colocamos nossos dons a serviço do povo de Deus."

Ele também incentivou novas gerações de músicos a colocarem seus talentos a serviço da evangelização, preservando um patrimônio que atravessa séculos e continua conduzindo os fiéis ao encontro com Cristo por meio da beleza da liturgia.

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