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FESTLUZ 2026 reúne talentos da música católica e transforma palco da Paróquia Santa Luzia em espaço de fé, arte e evangelização
Segunda edição do Festival de Música Católica Santa Luzia reuniu cinco concorrentes em 8 de agosto sob o tema “Confia no Senhor e trilhe seus caminhos”. Cibele Ávila, Banda Cristo Chama, Grupo de Louvor São Geraldo Magela, Ministério Notas de Amor e Ulisses Menezes protagonizaram uma noite marcada por música inédita, testemunhos, reencontros e emoção; “Confio no Senhor”, de Ulisses, conquistou o prêmio de melhor composição.
Por André Moreira Augusto
Publicado em 09/08/2026 12:37 • Atualizado 09/08/2026 16:25
Música
tema do FESTULUZ 2026

Música, oração, histórias de vida e o desejo comum de evangelizar deram o tom à segunda edição do FESTLUZ – Festival de Música Católica Santa Luzia, realizada em 8 de agosto de 2026, na Paróquia Santa Luzia. Se em sua primeira edição o festival demonstrou que havia espaço para incentivar novos compositores e músicos católicos, o encontro de 2026 confirmou a continuidade da proposta e ampliou o protagonismo de artistas vindos de diferentes comunidades.

Com o tema “Confia no Senhor e trilhe seus caminhos”, o FESTLUZ reuniu cinco concorrentes: Cibele Ávila, Banda Cristo Chama, Grupo de Louvor São Geraldo Magela, Ministério Notas de Amor e Ulisses Menezes. O regulamento colocou em avaliação não apenas letra e melodia, mas elementos como presença de palco, interação com o público, expressão corporal, arranjo, harmonia, criatividade, dicção e sentido da mensagem apresentada.

E a proposta foi explicitada desde a abertura: fomentar a música católica, incentivar os valores cristãos entre compositores, músicos e cantores e descobrir novos talentos para a evangelização.

Antes mesmo da competição, a noite começou em clima de oração. Houve invocação ao Espírito Santo, presença da imagem de Nossa Senhora e bênção sacerdotal, reforçando que, embora houvesse avaliação e premiação, o encontro se propunha antes de tudo como experiência de Igreja.

No palco, histórias muito diferentes acabariam convergindo para a mesma palavra: confiança.

Cibele Ávila abre o FESTLUZ com “Confia”

A responsabilidade de inaugurar as apresentações ficou com Cibele Ávila, da Comunidade São Francisco de Assis, pertencente à Paróquia Santa Luzia. Acompanhada ao violão, ela apresentou a composição inédita “Confia”, de sua própria autoria.

A simplicidade da formação contrastava com grupos maiores que ainda subiriam ao palco. Na entrevista concedida a Suzana após a apresentação, Cibele reconheceu que isso trouxe seus próprios desafios.

“Primeiro que, para subir, já é difícil. Sendo com banda ou sendo só nós dois, já foi bem difícil.”

Acostumada principalmente a cantar na igreja, ela também falou sobre a diferença de se apresentar em um festival, com palco, retorno de áudio e avaliação. Mas talvez o mais curioso tenha sido descobrir que a própria criação de “Confia” acabou sendo um exercício prático da mensagem que a música anunciava.

Segundo Cibele, após receber o tema do festival, ela estabeleceu uma espécie de condição: participaria se a inspiração aparecesse.

“Eu falei: ‘Se vier a música, eu me apresento. Se não vier, eu não me apresento’. Aí veio.”

Encontrar quem a acompanhasse também exigiu confiança. Ao final, a formação conseguiu chegar ao palco — e a experiência rendeu reconhecimento: Cibele conquistou a segunda melhor apresentação do festival.

Cristo Chama: uma banda que praticamente nasceu para o FESTLUZ

Se Cibele apresentou uma formação enxuta, a Banda Cristo Chama trouxe uma história quase cinematográfica de como reunir músicos espalhados por diferentes cidades em pouquíssimo tempo.

Representando a Comunidade Nossa Senhora da Esperança, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, o grupo apresentou a inédita “Evangelizar”, composição de Neiva e Pedro.

Na entrevista, Evandro resumiu a preparação de maneira bem-humorada:

“Foi meio que uma loucura, mas diz que a sabedoria de Deus é loucura para os sábios, não é?”

E não era exagero. Os integrantes estavam distribuídos entre diferentes cidades, entre elas Campinas, Sumaré e Guarujá, e o convite para montar a formação havia surgido poucas semanas antes. O primeiro ensaio completo aconteceu praticamente às vésperas do festival.

Ainda assim, músicos que já haviam se cruzado em diferentes momentos da caminhada católica começaram a se reencontrar.

“De alguma maneira Deus reuniu essa loucura. [...] De coração, foi isso que a gente sentiu: Cristo chama a evangelizar.”

A escolha de “Cheiro de Rosas” para a passagem de som também ganhou um significado especial. Amarilys explicou que a presença de Nossa Senhora simbolizava justamente a confiança necessária diante de uma preparação que parecia, inicialmente, quase impossível.

“A gente precisava do vinho. Aí a gente pediu: ‘Mãe, a coisa está feia, não tem mais vinho’. E aí ela foi providenciando.”

Evandro ainda revelou uma conexão entre o FESTLUZ e sua própria história: anos atrás, um convite feito por um baterista o levou a outro concurso de música católica, do qual saiu vencedor. Para ele, festivais como aquele podem representar o começo de uma caminhada inteira na evangelização pela música.

No FESTLUZ 2026, a Cristo Chama também saiu premiada: sua torcida foi eleita a mais animada da noite.

São Geraldo Magela leva para o palco uma experiência que já nasceu na comunidade

A terceira apresentação veio da Comunidade São Geraldo Magela, da Paróquia São João XXIII. Daniel, Fátima Souza, João e Wellington apresentaram “O Melhor Ele Fará”, composição de Daniel e Fatinha.

Diferentemente de uma formação criada especificamente para o concurso, os integrantes já carregavam uma experiência conjunta nas celebrações da comunidade. Fátima explicou durante a entrevista que o grupo apresentado no FESTLUZ era parte de uma equipe maior que atua nas missas e celebrações, com ensaios regulares.

Essa convivência apareceu na sintonia entre os músicos.

Wellington chamou atenção pelo uso do cajón, instrumento que já faz parte das celebrações do grupo e que ajudou a construir uma sonoridade característica para a apresentação.

Quando perguntados sobre quanto haviam ensaiado para chegar ao resultado apresentado no palco, veio uma resposta que surpreendeu:

“Dois ensaios.”

A explicação estava no entrosamento construído anteriormente entre músicos que já se conheciam e compartilhavam a experiência comunitária.

E o júri reconheceu justamente o conjunto apresentado: o Grupo de Louvor São Geraldo Magela conquistou o prêmio de melhor apresentação do FESTLUZ 2026.

Ministério Notas de Amor transforma o tema do festival em chamado à vocação

Da Paróquia São Sebastião, em Vinhedo, veio o Ministério Notas de Amor, responsável pela quarta apresentação da noite.

O grupo apresentou a inédita “Vai e Evangeliza”, com letra e melodia de Elton Azevedo Maia. A formação reuniu vozes e diferentes instrumentos, incluindo um que despertou a curiosidade dos apresentadores e do público: um instrumento eletrônico de sopro, utilizado pelo aerofonista Mateus Kuhn, capaz de reproduzir uma grande variedade de timbres.

Elton explicou a Suzana que “Vai e Evangeliza” nasceu especificamente para o FESTLUZ. Ao receber o tema “Confia no Senhor e trilhe seus caminhos”, ele percebeu diversas possibilidades, mas decidiu direcionar a composição para a vocação e a missão.

A ideia central tornou-se o envio do cristão para anunciar o Evangelho.

“Nós recebemos de Deus algumas missões na Bíblia, desde o Antigo Testamento até o Novo Testamento. E quando Ele pede: ‘Ide ao mundo inteiro, pregai o Evangelho a toda criatura’, é o que nós temos que fazer.”

A composição, portanto, não tratava a confiança como algo passivo. Confiar significava aceitar uma missão e sair ao encontro do outro.

“A ideia era puxar o vocacionado, enviar o vocacionado mundo afora para ele levar a Palavra de Deus, evangelizar esse mundo que precisa.”

A entrevista ainda revelou a história recente da formação do Ministério Notas de Amor. Seus integrantes já participavam musicalmente das missas da Paróquia São Sebastião e, com o surgimento do convite para o FESTLUZ, novos músicos foram incorporados especialmente para a apresentação.

Ulisses transforma uma experiência pessoal em “Confio no Senhor”

Coube a Ulisses Menezes, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, encerrar a etapa competitiva.

E antes mesmo da primeira nota havia uma história especial naquela noite: Ulisses contou que ele e a esposa haviam acabado de receber, naquele mesmo dia, o Sacramento da Crisma.

Depois da passagem de som, veio a inédita “Confio no Senhor”.

A apresentação enfrentou dificuldades técnicas e precisou ser reiniciada. Em vez de apagar o momento, porém, o imprevisto tornou ainda mais evidente o caráter ao vivo do festival. Ulisses recomeçou e apresentou uma composição que, como explicaria depois, estava profundamente ligada à própria história.

“Essa música não é uma composição fruto da minha capacidade artística, mas de uma experiência de vida. Faz parte de mim, da minha história.”

Na entrevista após a apresentação, Ulisses explicou que a música já existia antes do FESTLUZ. Diferentemente de sua participação no ano anterior, desta vez a composição já dialogava naturalmente com o tema proposto, exigindo apenas uma adaptação no refrão.

A apresentação ainda reuniu duas relações particularmente significativas.

No violino estava Vitor Menezes, filho de Ulisses.

“Eu gosto muito. Eu acho que violino toca demais o coração. [...] E a segunda razão é porque aquele menino lindo lá é meu filho. Então é um prazer imenso ter tocado com ele aqui hoje.”

No teclado, a emoção foi ainda maior. Ulisses contou que o músico que o acompanhava era seu amigo havia cerca de quatro décadas e estivera ao seu lado na primeira vez em que ambos tocaram diante de um público.

Agora, o FESTLUZ marcava uma espécie de despedida antes da mudança do amigo para Portugal.

“Ele está sempre me cruzando e me encontrando nas esquinas da vida. Obrigado pelo seu sim.”

No fim da noite, aquela apresentação carregada de memória pessoal se transformaria na grande vencedora da categoria de composição.

Música católica para além da competição

Entre uma apresentação e outra, os jurados também foram convidados a refletir sobre o papel da música na evangelização.

A banca reuniu diferentes experiências ligadas à música, comunicação, artes e vida religiosa. Um dos pontos abordados foi a diferença entre uma canção criada para um festival e a música propriamente litúrgica, sem diminuir a capacidade evangelizadora de ambas.

Outro tema foi a formação musical dentro das comunidades.

A jurada Vanessa Passos defendeu um olhar mais atento para o desenvolvimento dos talentos musicais dentro da própria Igreja. Para ela, existem pessoas com potencial e dedicação que poderiam avançar muito mais se houvesse investimento sistemático em formação musical.

Já Frei Demétrius destacou que a música religiosa precisa unir mensagem e forma. Para alcançar quem escuta, segundo ele, letra e melodia devem caminhar juntas e transmitir uma experiência coerente — seja de louvor, espiritualidade, liturgia ou reflexão.

A poesia, ressaltou, também ocupa lugar fundamental na composição cristã.

Assim, o julgamento técnico não ficou separado da razão pela qual aquelas músicas estavam sendo apresentadas. O próprio festival havia sido definido durante a noite como um encontro de pessoas com a mesma finalidade: evangelizar.

E os vencedores são...

Depois das cinco apresentações, os jurados deixaram o espaço principal para deliberar. Enquanto isso, a música continuou e o público participou de um momento descontraído de louvor até a chegada de uma das partes mais aguardadas da noite: a premiação.

A Banda Cristo Chama levou o reconhecimento pela torcida mais animada. Entre os destaques individuais, Matheus Rocha recebeu o segundo destaque, enquanto o tecladista que acompanhou Ulisses recebeu o primeiro destaque.

Na avaliação das apresentações, Cibele Ávila conquistou a segunda melhor apresentação, enquanto o Grupo de Louvor São Geraldo Magela foi escolhido como a melhor apresentação da noite.

Finalmente, veio o anúncio da melhor composição do FESTLUZ 2026: “Confio no Senhor”, de Ulisses Menezes.

Chamado ao palco, Ulisses voltou a afastar a conquista da ideia de uma vitória puramente artística:

“Não foi bem uma composição fruto de capacidade artística ou intelectual, mas foi inspirada por momentos da minha vida. [...] Obrigado. Gratidão.”

Como prêmio pela melhor composição, Ulisses terá a oportunidade de transformar a obra em uma produção audiovisual com a participação da Rádio e TV Fé e Luz, ampliando o alcance da música para além do festival. A premiação havia sido anunciada desde o início como parte do incentivo oferecido ao vencedor da categoria.

Quando todos deixam alguma coisa no palco

Ao final, reduzir o FESTLUZ 2026 ao nome de um vencedor seria contar apenas uma pequena parte da noite.

Cibele levou ao palco uma música sobre confiar e precisou, ela própria, confiar para chegar até ele. A Cristo Chama mostrou que músicos separados por cidades e trajetórias diferentes podem se encontrar em torno de uma missão. São Geraldo Magela transformou a convivência cotidiana de uma comunidade em uma das apresentações mais reconhecidas pelo júri. O Notas de Amor fez da confiança um chamado para sair e evangelizar. E Ulisses abriu parte da própria história diante do público para cantar que, mesmo diante da fragilidade humana, ainda é possível dizer: “Confio no Senhor.”

Talvez esteja justamente aí a força que a segunda edição começa a consolidar.

O FESTLUZ é uma competição, mas não termina na classificação.

É também encontro de comunidades, laboratório para novas composições, oportunidade para músicos que normalmente servem discretamente em suas paróquias ocuparem um palco, espaço de formação e, principalmente, uma vitrine para uma música que pretende continuar caminhando depois que as luzes do festival se apagam.

Em 2026, cinco concorrentes chegaram à Paróquia Santa Luzia trazendo cinco maneiras diferentes de responder ao mesmo convite.

 

Confiar no Senhor — e trilhar seus caminhos.

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